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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Provas de Amor - Paulo Miklos



Acabo de te trair
Em pensamento
Não deixo você ouvir
O que te traz sofrimento
Acabo de me trair
O que é que eu estou dizendo ?

Se é amor tem
Desencontros
Amar também
Um contra o outro
E lutar sempre
Por esse amor

Que morre e reascende
Melhor
Existem provas de amor
Provas de amor apenas
Provas de amor
Não existe o amor
Não existe o amor
Não existe o amor não existe
O amor
Apenas provas de amor

Acabo de me separar
Sem fazer alarde
Te ligo quando chegar lá
E te escondo a verdade
Nós vamos nos reconciliar
E você nem sabe
Se é amor tem
Desencontros
Amar também
Um contra o outro
E lutar sempre
Por esse amor
Que morre e reascende
E não tem fim

Combinamos
Destruir mas
Sempre estamos
Enganados
Vendo-o ressurgir
É você que eu amo

Existem provas de amor
Provas de amor apenas
Provas de amor
Não existe o amor
Não existe o amor
Não existe o amor não existe
O amor
Apenas provas de amor

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Não Deveria se Chamar Amor - Paulinho Moska

***
O amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se chamar amor
***
Poderia se chamar nuvem
Por que muda de formato a cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme que nunca assisti antes
***
Poderia se chamar labirinto
Pois sinto que não conseguirei escapulir
Poderia se chamar aurora
Pois vejo um novo dia que está por vir
***
Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte
Que parece linha reta, mas sei que não é assim
***
Poderia se chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado
***
Poderia se chamar universo
Porque nunca o entenderei por inteiro
Poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer aventureiro
***
Poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar
Para não significar nada e dar sentido a tudo

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Trecho do Livro Água Viva - Lispector

Eu, viva e tremeluzente como os instantes, acendo-me e me apago, acendo e apago, acendo e apago. Só que aquilo que capto em mim tem, quando está sendo agora transposto em escrita, o desespero das palavras ocuparem mais instantes que um relance de olhar. Mais que um instante, quero seu fluxo.Nova era, esta minha, e ela me anuncia para já. Tenho coragem? Por enquanto estou tendo: porque venho do sofrido longe, venho do inferno de amor mas agora estou livre de ti. Venho do longe - de uma pesada ancestralidade. Eu que venho da dor de viver. E não a quero mais.
Quero a vibração do alegre. Quero a isenção de Mozart. Mas quero também a inconseqüência. Liberdade? é o meu último refúgio, forcei-me à liberdade e agüento-a não como um dom mas com heroísmo: sou heroicamente livre. E quero o fluxo.
Não é confortável o que te escrevo. Não faço confidências. Antes me metalizo. E não te sou e me sou confortável; minha palavra estala no espaço do dia. O que saberás de mim é a sombra da flecha que se fincou no alvo. Só pegarei inutilmente uma sombra que não ocupa lugar no espaço, e o que apenas importa é o dardo.
Construo algo isento de mim e de ti - eis a minha liberdade que leva à morte. Neste instante-já estou envolvida por um vagueante desejo difuso de maravilhamento e milhares de reflexos do sol na água que corre da bica na relva de um jardim todo maduro de perfumes, jardim e sombras que invento já e agora e que são o meio concreto de falar neste meu instante de vida. Meu estado é o de jardim com água correndo. Descrevendo-o tento misturar palavras para que o tempo se faça. O que te digo deve ser lido rapidamente como quando se olha.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

The Beach Boys - Don't Talk (Put Your Head On My Shoulder)



I can hear so much in your sighs

I can see so much in your eyes

There are words we both could say


But don't talk, put your head on my shoulder


Come close, close your eyes and be still


Don't talk, take my hand and let me hear your heart beat



Being here with you feels so right


We could live forever tonight


Let's not think about tomorrow



And don't talk, put your head on my shoulder


Come close, close your eyes and be still


Don't talk, take my hand and listen to my heart beat



Listen, listen, listen



Don't talk, put your head on my shoulder


Don't talk, close your eyes and be still


Don't talk, put your head on my shoulder


Don't talk, close your eyes and be still


Don't talk, put your head on my shoulder


"
Feita para ouvir a dois nos momentos que faltam palavras e sobram sentimentos"

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Só Deixo Meu Coração Na Mão de Quem Pode - Kátia B





Só deixo meu coração

Na mão de quem pode

Fazer da minha alma

Suporte pr’uma vida insinuante

Insinuante


Anti-tudo que não possa ser

Bossa-nova hardcore

Bossa-nova nota dez


Quero dizer

Eu tô pra tudo nesse mundo

Então

Só vou deixar meu coração

A alma do meu corpo

Na mão de quem pode


Na mão de quem pode e absorve

Todo céu

Qualquer inferno


Inspiração

De mutação

Da vagabunda intenção

De se jogar na dança absoluta

Da matança do que é tédio


Conformismo

Aceitação

Do fico aqui

Vou te levando

Nessa dança

Submundo pode tudo do amor (pode tudo do amor)


Porque não quero teu ciúme que é o cúmulo

Ciúme é acúmulo de dúvida, incerteza

De si mesmo

Projetado

Assim jogado

Como lama anti-erótica

Na cara do desejo mais

Intenso de ficar com a pessoa

E eu não tô à toa

Eu sou muito boa


Eu sou muito boa pra vida

Eu sou a vida oferecida como dança

E não quero te dar gelo

Jealous guy


Vê se aprende

Se desprende

Vem pra mim que sou esfinge do amor

Te sussurrando

Decifra-me (decifra-me)


Só deixo minha alma

Só deixo o coração

Só deixo minha alma

Na mão de quem pode


Só deixo minha alma

Só deixo meu coração

Na mão de quem ama solto


Eu vou dizendo

Que só deixo minha alma

Só deixo meu coracão

Na mão de quem pode

Fazer dele erótico suporte

Pra tudo que é ótimo fator vital

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Eu Espero - Adriana Calcanhoto




Entre nós
o desejo
Entre nós
nosso tempo

Não vá me deixar
sem seu beijo
Se tudo o que há
não é muito mais
do que o momento

Quanto mais
eu te quero
Mais sei esperar
Eu espero

Eu fiz um drama quando li essa letra na semana passada... ela traduzia um sentimento e ia de encontro a tantos medos... tudo projetado, nada de concreto... Escuto a música, ponho tudo em negrito a foto da Adriana, que eu adoro... e a música volta a ser mais uma música fofinha – não um instrumento de tortura. A bem da verdade, eu não estou preparada para tudo que ando sentindo... mas agora já é tarde. Não dá para verificar o pára- quedas depois que se pula do avião. ^^


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Gibran Kahlil Gibran



Amai-vos...

Amai-vos um ao outro,

mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante

entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,

mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,

mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,

e sede alegres,

mas deixai

cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira

são separadas e,
no entanto,

vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,

mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida

pode conter vosso coração.

E vivei juntos,

mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo

erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste

não crescem à sombra um do outro.


segunda-feira, 9 de junho de 2008

Marta Medeiros


"Pode invadir
Ou chegar com delicadeza
Mas não tão devagar que me faça dormir
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar
Acordo pela manhã com ótimo humor
Mas ... permita que eu escove os dentes primeiro
Toque muito em mim
Principalmente nos cabelos
E minta sobre minha nocauteante beleza
Tenho vida própria
Me faça sentir saudades
Conte algumas coisas que me façam rir
Viaje antes de me conhecer
Sofra antes de mim para reconhecer-me
Acredite nas verdades que digo
E também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro
Me deixe sozinha
Só volte quando eu chamar
E não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada
Então fique comigo quando eu chorar, combinado?
Seja mais forte que eu e menos altruísta!
Não se vista tão bem...
Gosto de camisa para fora da calça,
Gosto de braços
Gosto de pernas
E muito de pescoço.
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, cheiros, olhos, mãos...
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os.
Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos.
Seja um pouco caseiro e um pouco da vida
Não goste tanto de boate que isto é coisa de gente triste.
Não seja escravo da televisão, nem xiita contra.
Nem escravo meu
Nem filho meu
Nem meu pai.
Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês
Mas me faça uma louca boa
Uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ...
Goste de música e de sexo
Goste de um esporte não muito banal
Não invente de querer muitos filhos
Me carregar pra a missa, apresentar sua família... isso a gente vê depois ... se calhar ...
Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora
Quero ver você nervoso,inquieto
Olhe para outras mulheres
Tenha amigos que se tornem meus amigos e digam muitas bobagens juntos.
Me conte seus segredos ...
Me faça massagem nas costas.
Não fume
Beba
Chore
Eleja algumas contravenções.
Me rapte!
Se nada disso funcionar ...
Experimente me amar!”

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Dor-de-cotovelo - Caetano Veloso


O ciúme dói nos cotovelos

Na raiz dos cabelos

Gela a sola dos pés

Faz os músculos ficarem moles

E o estômago vão e sem fome

Dói da flor da pele ao pó do osso

Rói do cóccix até o pescoço

Acende uma luz branca em seu umbigo

Você ama o inimigo

E se torna inimigo do amor

O ciúme dói do leito à margem

Dói pra fora na paisagem

Arde ao sol do fim do dia

Corre pelas veias na ramagem

Atravessa a voz e a melodia

terça-feira, 20 de maio de 2008

Bilhetinho de Amor



Bilhetinho de amor

"Você acredita em amor a primeira vista? Nem eu. Portanto só posso crer que o meu coração tem sólidas bases para enviar sua imagem a minha cabeça todos os dias. A razão que me rege abandona minha mente quando seu corpo se aproxima do meu, e a ausência desse alicerce faz todo meu corpo estremecer quando o som da sua voz é captado pelos meus ouvidos. O toque das suas mãos me lança num universo paralelo, onde minha alma está em paz e toda desgraça que há no mundo me parece um pesadelo distante. Só você faz sentido.”



"NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR"

Sempre superestimado esse tal de amor... rsrsrsrsrs

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

I Turn To You



Pelo menos eu sei o que é viver uma paixão arrebatadora. Pena ter perdido a disposição para acreditar.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

4Chay


E tudo por que me tiraste a ilusão.

E a vida sem ilusões não é vermelha nem azul,

Nem preta e branca,

É apenas acromática.

E nem me afobo que a tragas de volta,

Sem sonhos e fantasias...

Deixaste-me alma e coração vazio.

Por que trouxeste o real sem possibilidades?

Qual anjo anuncia tormentas

Sem trazer consigo vislumbres de compaixão?

Clarice Lispector



...sentou-se para descansar e em breve fazia de conta que ela era uma mulher azul porque o crepúsculo mais tarde talvez fosse azul, faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate, e que ela não estivesse pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz de conta verde-cintilante, faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava de morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus,..., faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos de perplexidade quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os pulsos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua pois ela era lunar, faz de conta que ela fechasse os olhos e os seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos de gratidão, faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta, faz de conta que se descontraía o peito e a luz douradíssima e leve a guiava por uma floresta de açudes mudos e de tranqüilas mortalidades, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando por dentro...


Trecho do Livro Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Carla Bruni - L'excessive


Je n'ai pas dexcuse,
C'est inexplicable,
Même inexorable,
C'est pas pour l'extase, c'est que l'existence,
Sans un peu d'extrême, est inacceptable,

Je suis excessive,
J'aime quand ça désaxe,
Quand tout accélère,
Moi je reste relaxe
Je suis excessive,
Quand tout explose,
Quand la vie s'exhibe,
C'est une transe exquise

Y'en a que ça excède, d'autres que ça vexe,
Y'en a qui exigent que je revienne dans l'axe,
Y'en a qui s'exclament que c'est un complexe,
Y'en a qui s'excitent avec tous ces "X" dans le texte

Je suis excessive,
J'aime quand ça désaxe,
Quand tout accélère,
Moi je reste relaxe
Je suis excessive,

Quand tout explose,
Quand la vie s'exhibe,
C'est une transe exquise, (ouais).
Je suis excessive,
J'aime quand ça désaxe,
Quand tout exagère,
Moi je reste relaxe
Je suis excessive,
Excessivement gaie, excessivement triste,
C'est là que j'existe.
Mmmm, pas d'excuse ! Pas d'excuse !



Definição pra lá de chique ;)

terça-feira, 19 de junho de 2007

Consciência


Walking Around (Pablo Neruda)

Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.

Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.

Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas.

Não importa quantas paredes estejam ao meu redor, não há como fugir dos meus pesadelos internos. Há tempos não era tomada por tal sensação de dor e revolta. Nem tal claridade de consciência. “Alívio para esse sofrimento só em Cristo”...mas quando não há aceitação em mim, nem mesmo refugio... existe zona de conforto para isso?

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Carlos Drummond de Andrade

    Memória

    Amar o perdido
    deixa confundido
    este coração.

    Nada pode o olvido
    contra o sem sentido
    apelo do Não.

    As coisas tangíveis
    tornam-se insensíveis
    à palma da mão

    Mas as coisas findas
    muito mais que lindas,
    essas ficarão.


    *Achei tão lindo esse poema que tinha que dedicá-lo a alguém que amo muito... :P

segunda-feira, 28 de maio de 2007

♪♫ Zeca Baleiro ♫♪




Meu amor minha flor minha menina

Solidão não cura com aspirina

Tanto que eu queria o teu amor

Vem me trazer calor, fervor, fervura

Me vestir do terno da ternura

Sexo também é bom negócio

O melhor da vida é isso e ócio

Isso é ócio



Minha cara, minha Carolina

A saudade ainda vai bater no teto

Até um canalha precisa de afeto

Dor não cura com penicilina



Meu amor minha flor minha menina

Tanto que eu queria o teu amor

Tanto amor em mim como um quebranto

Tanto amor em mim, em ti nem tanto



Minha cora minha coralina

mais que um goiás de amor carrego

destino de violeiro cego



Há mais solidão no aeroporto

Que num quarto de hotel barato

Antes o atrito que o contrato



Telefone não basta ao desejo

O que mais invejo é o que não vejo

O céu é azul, o mar também





Se bem que o mar as vezes muda,

Não suporto livros de auto-ajuda

Vem me ajudar, me dá seu bem



Meu amor minha flor minha menina

Tanto que eu queria o teu amor

Tanto amor em mim como um quebranto

Tanto amor em mim, em ti nem tanto

domingo, 6 de maio de 2007

Identificação Pessoal

“Não vivo pensando que toda hora alguém vai me trair. Muitas vezes tenho medo. Frequentemente me engano. Devo machucar quem amo, e certamente sem razão me sinto ferida algumas vezes.
Todos os pequenos dramas humanos são meus. Nos meus anos e multiplicados afetos, mais de uma vez quando pensei que haveria celebração, foi um fiasco. Quando imaginei um encontro, foi solidão. Quando quis abraço, fui segregada.
Ou muito disso se realizou e foi belo, e bom, muito além de minhas expectativas.”
Trecho do Livro Perdas & Ganhos – Lya Luft

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Com Licença Poética (Adélia Prado)



Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.

Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.